on abril 18, 2011
Uma aposta certeira na mudança do modelo econômico
“O primeiro mandato do governador Jaques Wagner foi marcado pelo esforço em repensar o modelo econômico até então vigente, em apostar na construção de uma infraestrutura logística, que atenue as históricas desvantagens competitivas da Bahia nessa área para, a partir de agora, atrair e viabilizar empreendimentos diversos, a exemplo da Bahia Mineração, a agroindústria na região Oeste do Estado, e a ZPE de Ilhéus, entre outros”, afirma o economista Oswaldo Guerra, 56 anos, é professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFBa.
Formado pela UFBa e doutorado pela Universidade de Campinas (Unicamp), Guerra diz que neste segundo governo poderão ser concretizadas grandes obras de infraestrutura como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), que levará produtos agrícolas e minerais da Bahia para serem exportados pelo Porto Sul, em Ilhéus. “A Fiol vai ligar Barreiras e o semiárido – onde se localizam 65% dos municípios baianos – trazendo a produção agrícola do Oeste, reduzindo custos e também o número de caminhões nas estradas. No retorno, os trens levarão os insumos agrícolas até os produtores”, diz Guerra.
Segundo ele, trata-se de um projeto que vai criar possibilidades de uma maior integração do território baiano, além de induzir a instalação de projetos industriais e de agroindústrias em todas as localidades no entorno da ferrovia. “É de suma importância também a modernização dos portos de Salvador e Aratu, a Via Expressa, a duplicação das BRs 101, 324 e 116 e da BA-099 – desde Aratu, Camaçari até a rótula do aeroporto -, um dos grandes gargalos do Pólo de Camaçari”, elenca Guerra.
Guerra diz que isso demandará uma grande capacidade de negociação política, de articulação do governo com o empresariado. Ele cita, ainda, a inauguração em 2010 do Gasene, gasoduto da Petrobras ligando as regiões Sudeste e Nordeste do Brasil. “A Bahia já é auto-suficiente em gás e o excedente pode ser enviado ao Sudeste ou direcionado para novos investimentos no Estado”, argumenta.
Guerra aponta a duplicação da Ford como outra boa notícia, mas acentua que seria importante a vinda de mais uma ou duaimportantees novas montadoras de automóveis para que se ganhasse escala e viabilizasse a atração de dezenas de empresas de autopeças que fornecem seus insumos às grandes montadoras.
Ele cita que nos últimos 50 anos o desenvolvimento da Bahia se deu por surtos, espasmos, com investimentos exógenos – que vieram de fora -, a exemplo da Refinaria Landulpho Alves da Petrobras, a implantação do CIA e do Pólo Petroquímico de Camaçari. “A partir desse momento a Bahia se torna um estado industrial. O governo Wagner decidiu sair da guerra fiscal para atrair investimentos, optando por investir na infraestrutura logística, a exemplo da Fiol, do novo Porto de Ilhéus e da revitalização do porto de Malhado. Essas são algumas das iniciativas mais importantes em dinamismo econômico para que o Estado dê um salto qualitativo e siga com um crescimento forte e continuado, o que ainda está a se materializar”, conclui Oswaldo Guerra.



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